Desdenhar sempre - pessoas indecifráveis


A nossa turma na faculdade estava pegando fogo. Decidimos que no dia da responsabilidade social faríamos um evento para as mulheres. Falar sobre a lei Maria da Penha, direitos, e afins.

Reunimos para decidir como faríamos isso. O que parecia fácil foi uma dor de cabeça.
- Vamos fazer no sábado pela manhã pessoal. Sugeri.

- Eu não posso! No sábado é quando eu descanso... falou Paula. Gente, era apenas um dia, será que não poderia abrir uma exceção? Pensei.

-Vamos fazer cooffe-brack? Acho que seria bacana fazer uma recepção agradável para as mulheres. – Sugeriu Cleonice.

Mais uma vez, Paula não se agradou da ideia. Pra quê gastar dinheiro com comida? isso nem vai valer nota!

Ficamos levantando possibilidades, ideias, mas com tanta má vontade não chegamos a lugar algum. Lá se foi nossa aulinha preciosa...

 – Na próxima aula a gente termina de acertar os detalhes... – combinado então.
Enfim a próxima aula. Graças a Deus,Paula não veio! Pode parecer absurdo, mas até as coisas fluíram bastante sem suas intervenções. Conseguimos acertar quase todos os detalhes.

Porém Paula não gostou nenhum pouco. Assim que soube das decisões começou a reclamar.

- Isso é uma falta de consideração! Como vocês podem decidir tudo sem mim?
- Querida, você acha que temos tempo pra esperar o dia em que você iria vir? Já perdemos duas aulas pra resolver isso! Estamos perdendo matéria de prova! – Respondeu Ana.

- E eu não abro mão das aulas! Retruquei. – Chega de enrolar.

Paula não estava só. Na verdade a panelinha dela não estava muito contente com as decisões tomadas pela turma.

- Gente, então quer dizer que a camiseta vai ser vermelha? Hum... vamos ficar parecendo cabo eleitoral do PT fazendo campanha...
- Pra que fazer esse tanto de comida pra lanche? Nem vai vir tanta gente! Só pra gastar dinheiro!
- Eu acho que essa peça não tem nada a ver... muito fraca, não passa a mensagem...
- Esse horário é péssimo!
Resolvemos ignorar. Se ficássemos discutindo perderíamos mais uma aula sem necessidade. Deixa falar.

- Pessoal, dia 17 viu?
Chegou dia 17. Tudo correu tranquilamente.
- Cadê Paula?
- Acho que não vem... ela não concordou com as nossas decisões.
- Então por que ela não deu sugestões? Reclamar, reclamar mas não contribui com nada...

Realmente ela não veio.
Na próxima aula Joana foi falar com Paula.
- Mulher, por que você não veio pra palestra?
- Você acredita que esqueci?
- Foi? Hummm não me diga...

Sobre o autor

Danilo Andrade
Estudante de Serviço Social. Um ser inacabado e inconformado com o comodismo. Um cara alegre, que não curte fórmulas prontas e verdades indiscutíveis.

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